Tipos de dor de cabeça: como diferenciar os principais

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Autor: Dra. Francine Berlesi | Medica da Dor | CRM/RS: 44211 - RQE: 39953

Tipos de dor de cabeça podem se manifestar de formas muito diferentes. Algumas pessoas sentem uma pressão constante dos dois lados da cabeça, enquanto outras apresentam uma dor pulsante, acompanhada de náusea, sensibilidade à luz ou até alterações visuais.

Entender essas diferenças é importante porque nem toda dor de cabeça tem a mesma origem. Enxaqueca, cefaleia tensional e cefaleia em salvas, por exemplo, possuem características próprias e podem exigir formas diferentes de tratamento.

Observar onde a dor aparece, quanto tempo dura e quais sintomas surgem junto com ela ajuda a identificar o padrão e saber quando é necessário procurar avaliação médica.

O que é a dor de cabeça e por que existem tipos diferentes?

Dor de cabeça, também chamada de cefaleia, é um termo amplo utilizado para diferentes condições que provocam dor na região da cabeça e, em alguns casos, também na face e no pescoço.

De maneira geral, as cefaleias são divididas em dois grandes grupos:

  • Cefaleias primárias: a própria dor de cabeça é a condição principal. É o caso da enxaqueca, da cefaleia tensional e da cefaleia em salvas.
  • Cefaleias secundárias: a dor surge como consequência de outra condição, como infecções, traumas, alterações vasculares, problemas na região cervical ou uso excessivo de determinados medicamentos.

Essa diferenciação é importante porque uma dor aparentemente semelhante pode ter causas completamente diferentes.

Principais tipos de dor de cabeça

Entre os diversos tipos existentes, alguns aparecem com maior frequência ou possuem características bastante marcantes.

Cefaleia tensional

A cefaleia tensional é um dos tipos mais comuns de dor de cabeça.

Normalmente, provoca uma sensação de pressão ou aperto, como se uma faixa estivesse comprimindo a cabeça. A dor costuma aparecer dos dois lados e apresentar intensidade leve ou moderada.

Também pode existir sensibilidade ou tensão na musculatura do pescoço, couro cabeludo e ombros.

As principais características são:

  • dor em pressão ou aperto;
  • geralmente dos dois lados da cabeça;
  • intensidade leve a moderada;
  • não costuma piorar significativamente com atividades rotineiras;
  • normalmente não provoca náuseas ou vômitos.

Estresse, alterações do sono e tensão muscular podem estar associados ao aparecimento ou à piora das crises em algumas pessoas.

Enxaqueca

A enxaqueca é uma condição neurológica e pode provocar crises muito mais intensas e incapacitantes.

A dor costuma ser pulsante ou latejante, frequentemente mais forte de um lado da cabeça, embora também possa atingir os dois lados. Uma crise pode durar várias horas e, em alguns casos, persistir por dias.

Além da dor, é comum apresentar:

  • náusea e, algumas vezes, vômitos;
  • sensibilidade à luz;
  • incômodo com sons e cheiros;
  • piora da dor durante esforços ou atividades físicas;
  • necessidade de permanecer em ambientes escuros e silenciosos.

Algumas pessoas apresentam também a chamada aura, que pode causar alterações visuais, formigamentos ou outros sintomas neurológicos temporários antes ou durante a crise.

A enxaqueca não deve ser considerada apenas uma dor de cabeça forte. Quando as crises são recorrentes ou começam a interferir na rotina, existem tratamentos específicos para reduzir tanto sua intensidade quanto sua frequência.

Cefaleia em salvas

A cefaleia em salvas é menos comum, porém provoca crises extremamente intensas.

A dor geralmente ocorre em apenas um lado da cabeça e se concentra ao redor ou atrás de um dos olhos. As crises costumam começar rapidamente e podem acontecer diversas vezes durante determinados períodos.

Além da dor, podem surgir sintomas do mesmo lado da cabeça, como:

  • lacrimejamento;
  • olho avermelhado;
  • nariz entupido ou com secreção;
  • inchaço ou queda da pálpebra;
  • inquietação ou agitação durante a crise.

Enquanto uma pessoa com enxaqueca frequentemente procura ficar parada em um ambiente escuro, quem apresenta cefaleia em salvas pode sentir dificuldade para permanecer imóvel devido à intensidade da dor.

Cefaleias secundárias

As cefaleias secundárias não são uma doença isolada. Nesse caso, a dor de cabeça acontece devido a outra condição.

Podem estar associadas, por exemplo, a infecções, traumatismos na cabeça ou pescoço, alterações vasculares, problemas cervicais ou outras doenças.

Existe também a cefaleia por uso excessivo de medicamentos, que pode surgir em pessoas que já possuem dores de cabeça frequentes e passam a utilizar medicamentos para as crises de forma muito repetida.

Por isso, depender constantemente de analgésicos para controlar a dor não deve ser considerado uma solução de longo prazo.

Diferenças entre os principais tipos de dor de cabeça

Algumas características ajudam a perceber as diferenças entre os quadros mais conhecidos:

CaracterísticaCefaleia tensionalEnxaquecaCefaleia em salvas
Tipo de dorPressão ou apertoPulsante ou latejanteMuito intensa e penetrante
LocalizaçãoGeralmente dos dois ladosFrequentemente de um ladoUm lado, principalmente ao redor do olho
IntensidadeLeve a moderadaModerada a forteMuito forte
NáuseaIncomumFrequenteIncomum
Sensibilidade à luz e ao somMenos comumFrequentePode ocorrer
Outros sinaisTensão no pescoço e ombrosAura em algumas pessoasLacrimejamento, olho vermelho e congestão nasal

Essas características servem como referência, mas não substituem o diagnóstico médico. Uma mesma pessoa também pode apresentar mais de um tipo de cefaleia ao longo da vida.

Quando a dor de cabeça pode ser um sinal de alerta?

A maioria das dores de cabeça não está relacionada a uma doença grave. Mesmo assim, algumas características merecem avaliação médica mais rápida.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • dor extremamente intensa que começa de forma súbita;
  • mudança importante no padrão de uma dor de cabeça já conhecida;
  • dor que se torna progressivamente mais frequente ou intensa;
  • fraqueza, dormência ou perda de força em alguma parte do corpo;
  • dificuldade para falar, enxergar ou caminhar;
  • confusão mental ou desmaio;
  • febre acompanhada de rigidez no pescoço;
  • dor que surge após um trauma na cabeça;
  • aparecimento de um novo padrão de cefaleia sem uma explicação conhecida.

Também é importante procurar avaliação quando as crises passam a interferir no trabalho, no sono, nos estudos ou nas atividades do dia a dia.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico dos diferentes tipos de dor de cabeça começa principalmente pela avaliação clínica.

O médico investiga características como localização, intensidade, duração e frequência das crises, além de sintomas associados, fatores desencadeantes e medicamentos utilizados.

Um diário da dor de cabeça também pode ajudar. Nele, o paciente registra quando a crise ocorreu, quanto tempo durou, intensidade, sintomas associados e possíveis gatilhos.

O exame físico e neurológico faz parte da avaliação. Exames complementares, como tomografia ou ressonância magnética, não são necessários em todos os casos e costumam ser solicitados quando existem sinais de alerta ou necessidade de investigar outras causas.

Tratamento e controle das dores de cabeça

O tratamento depende diretamente do tipo de cefaleia identificado e da frequência das crises.

Entre as estratégias que podem fazer parte do cuidado estão:

  1. Tratamento das crises: medicamentos específicos podem ser utilizados para aliviar a dor quando ela aparece, conforme o diagnóstico e a orientação médica.
  2. Tratamento preventivo: indicado em determinados casos para reduzir a frequência e a intensidade das crises, especialmente em pessoas com enxaqueca recorrente.
  3. Mudanças de hábitos: regularidade do sono, alimentação adequada, hidratação, atividade física e controle de possíveis gatilhos podem contribuir para reduzir algumas crises.
  4. Procedimentos médicos: em casos selecionados, tratamentos como bloqueios anestésicos ou toxina botulínica podem fazer parte da estratégia de controle de determinados tipos de cefaleia.
  5. Tratamento da causa: nas cefaleias secundárias, é fundamental identificar e tratar a condição responsável pela dor.

O mais importante é evitar tratar todas as dores de cabeça da mesma maneira. Quando as crises são recorrentes, descobrir qual é o padrão da cefaleia permite escolher uma estratégia mais adequada.

Este artigo tem caráter meramente informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.

Para quem apresenta crises pulsantes, náusea, sensibilidade à luz ou outros sintomas compatíveis, conheça também como funciona o tratamento para enxaqueca em Porto Alegre.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é o tipo de dor de cabeça mais comum?

A cefaleia tensional está entre os tipos mais comuns. Geralmente provoca uma sensação de pressão ou aperto dos dois lados da cabeça e possui intensidade leve ou moderada.

Como saber se a dor de cabeça é enxaqueca?

A enxaqueca costuma provocar dor moderada ou forte, muitas vezes pulsante, e pode vir acompanhada de náusea, sensibilidade à luz e ao som e piora com atividades físicas. O diagnóstico, porém, deve considerar todo o histórico das crises e ser realizado por um profissional.

Ter dor de cabeça todos os dias é normal?

Não é recomendado normalizar dores de cabeça muito frequentes. Cefaleias recorrentes podem estar relacionadas a diferentes condições e até ao uso excessivo de medicamentos para dor. Quando as crises aparecem repetidamente ou prejudicam a rotina, é importante investigar a causa.

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sobre o autor

Drª. Francine Berlesi

Pós-graduada em Medicina da Dor pelo Hospital Albert Einstein

Formação em Medicina Interna pelo Hospital Moinho de Vento em Porto Alegre - RS

Médica pela PUC-RS

Curso de Infiltração guiada por ultrassom - Caio Rondon

Especialização em Atenção Básica pela UFSC

CRM/RS: 44211 - RQE: 39953

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