Quando um bloqueio pode ser indicado para dor lombar?

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Autor: Dra. Francine Berlesi | Medica da Dor | CRM/RS: 44211 - RQE: 39953

A dor na parte baixa das costas pode dificultar ficar sentado, caminhar ou dormir. Quando ela persiste, surge uma dúvida frequente: um bloqueio pode ajudar?

Um bloqueio pode ser discutido quando existe uma finalidade clínica definida, como investigar a participação de uma estrutura na dor ou buscar alívio em situações selecionadas. A intensidade da dor, uma alteração na ressonância ou a falta de melhora com um tratamento não bastam, isoladamente, para indicar o procedimento.

O nome “bloqueio” reúne técnicas diferentes. Antes de decidir, é preciso entender qual delas foi proposta, o que se espera descobrir ou tratar e quais são as alternativas.

Por que a origem da dor lombar importa?

Dor lombar descreve a localização do sintoma. Em muitos casos, não é possível atribuí-la a uma única doença ou alteração estrutural. Em outros, há uma condição específica a investigar. Fonte: OMS.

Também faz diferença saber se a dor permanece nas costas ou se segue para a perna, com possíveis mudanças de sensibilidade ou força. Duas pessoas com dor na mesma região podem precisar de cuidados diferentes.

O que significa fazer um bloqueio na lombar?

Em geral, o termo descreve uma aplicação de medicamento em um alvo definido, frequentemente próximo a nervos. A técnica e a finalidade precisam ser especificadas.

Um bloqueio seletivo de raiz nervosa, por exemplo, pode utilizar anestésico local, com ou sem corticosteroide, perto de um nervo na coluna lombar. Pode ajudar a investigar sintomas na perna ou buscar alívio. Fonte: University Hospitals Plymouth.

Já o bloqueio de ramo medial se dirige a pequenos nervos relacionados às articulações posteriores da coluna, chamadas facetas. Pode participar da investigação de uma possível origem facetária da dor. Fonte: Royal College of Anaesthetists.

Essas aplicações não são equivalentes. Tampouco todo bloqueio é uma aplicação epidural, que utiliza o espaço próximo às estruturas nervosas da coluna.

Quando a proposta é investigar a origem da dor?

Um bloqueio diagnóstico procura observar como os sintomas mudam após a aplicação de anestésico em um alvo específico.

Na investigação de dor possivelmente relacionada às facetas, a resposta ao bloqueio de ramo medial pode contribuir para a decisão sobre os próximos passos. A interpretação exige cuidado: um teste positivo não é uma prova absoluta, e podem ocorrer resultados falsamente positivos. Fonte: Royal College of Anaesthetists.

Por isso, a equipe pode pedir um registro da dor e das atividades durante o período de efeito. A pergunta é o que mudou, quanto mudou e por quanto tempo.

Quando pode ser discutido para aliviar sintomas?

Uma situação reconhecida pela diretriz NICE é a ciática aguda e intensa, em que uma aplicação epidural de anestésico local e corticosteroide pode ser considerada após avaliação. Essa recomendação não deve ser estendida a toda dor lombar localizada. Fonte: NICE.

Uma revisão da Academia Americana de Neurologia encontrou benefício limitado das aplicações epidurais para dor radicular, principalmente no curto prazo. A evidência de alívio da dor a longo prazo foi insuficiente. Fonte: AAN, 2025.

Isso significa discutir uma possibilidade de benefício, sem garantir intensidade ou duração da melhora.

E quando a dor lombar já é crônica?

Não existe uma recomendação única para todas as intervenções. A NICE não recomenda injeções na coluna para tratar lombalgia de forma geral, mas prevê avaliação para radiofrequência em situações selecionadas de dor crônica possivelmente facetária, após resposta positiva a bloqueio diagnóstico. Fonte: NICE.

Por outro lado, uma diretriz publicada no BMJ em 2025 recomenda fortemente contra diversas intervenções terapêuticas, incluindo aplicações epidurais e radiofrequência facetária, nos grupos de dor crônica não relacionada a câncer avaliados. Fonte: BMJ.

Essa divergência precisa fazer parte da conversa. Peça que o profissional explique como a evidência se aplica ao seu quadro e quais incertezas permanecem. Dor crônica não deve levar automaticamente a uma sequência de aplicações.

Bloqueio e radiofrequência são a mesma coisa?

Não. O bloqueio utiliza medicamento. A radiofrequência atua sobre nervos por meio de energia aplicada com equipamento específico.

Em alguns protocolos, o bloqueio diagnóstico é uma etapa da seleção para radiofrequência. São procedimentos distintos, e a duração de um não deve ser atribuída ao outro. Fonte: Royal College of Anaesthetists.

Como é feita a avaliação antes da decisão?

A consulta relaciona os sintomas ao exame físico. O médico procura entender onde a dor começa, para onde vai e se há mudanças de força ou sensibilidade. Fonte: NHS.

Leve os exames disponíveis e conte quais tratamentos foram utilizados, por quanto tempo e com qual resposta. Uma indicação precisa explicar como o procedimento pode ajudar naquele quadro, além de identificar um local na imagem.

Quais situações pedem decisões diferentes?

SituaçãoO que esclarecer antes de decidir
Dor localizada sem causa específica identificadaQual é o plano de cuidado e por que um procedimento acrescentaria benefício?
Ciática aguda e intensaExiste uma indicação específica para aplicação epidural?
Suspeita de dor relacionada às facetasUm teste diagnóstico mudaria a conduta?
Dor persistente apesar de tratamentoO diagnóstico e o plano precisam ser revistos?
Novas alterações de força ou controle urinárioHá necessidade de atendimento urgente antes de discutir qualquer bloqueio?

A tabela organiza a conversa; não permite decidir a indicação sem avaliação.

Fiz fisioterapia e não melhorei. Preciso de bloqueio?

Não necessariamente. A falta de melhora pede revisão do quadro, dos objetivos e da resposta ao cuidado realizado.

A reabilitação participa do tratamento da dor lombar e busca recuperar função e atividades. O plano pode precisar de adaptação, acompanhamento de outros fatores ou investigação de uma causa específica. Fonte: OMS.

Uma eventual aplicação também precisa ter um propósito dentro desse plano. Alívio temporário, quando ocorre, não significa que a causa foi corrigida ou que o acompanhamento deixou de ser necessário.

Quais riscos precisam ser considerados?

Os riscos variam conforme o alvo, a técnica e as substâncias. Em aplicações próximas a raízes nervosas, podem ocorrer aumento temporário da dor, sangramento, infecção, reação alérgica e, raramente, lesão nervosa. Corticosteroides podem alterar temporariamente a glicose em pessoas com diabetes. Fonte: Gloucestershire Hospitals.

Informe anticoagulantes, alergias, diabetes, infecção recente e possibilidade de gravidez. Não suspenda medicamentos por conta própria. A equipe deve orientar o preparo, o acompanhamento e a retomada das atividades.

Antes de decidir, esclareça:

  • qual é o alvo e qual medicamento será utilizado;
  • se a finalidade é diagnóstica ou terapêutica;
  • qual benefício é realista para seu quadro;
  • quais riscos e alternativas se aplicam a você;
  • como será avaliada a resposta.

Como acompanhar o resultado?

Registre a intensidade da dor e mudanças em tarefas combinadas com a equipe. Ficou mais fácil caminhar, permanecer sentado ou realizar determinado movimento?

Leve esse registro ao retorno. A resposta ajuda a planejar o cuidado seguinte; uma nova aplicação não deve ser automática. Fonte: Gloucestershire Hospitals.

Quando procurar atendimento urgente?

Procure urgência se a dor nas costas vier acompanhada de:

  • dificuldade nova para urinar ou perda do controle de urina ou fezes;
  • perda de sensibilidade na região íntima ou ao redor do ânus;
  • perda importante de sensibilidade nas pernas;
  • sintomas após um acidente importante.

Esses sinais precisam ser investigados rapidamente. Não espere a data de um bloqueio para procurar atendimento. Fonte: NHS.

Após um procedimento, fraqueza nova na perna ou alterações de controle urinário ou intestinal também exigem avaliação urgente. Febre com nova dor nas costas deve ser comunicada sem demora. Fonte: University Hospitals Plymouth.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta com um profissional de saúde.

Para investigar os sintomas e discutir as opções de cuidado, conheça a avaliação e o tratamento da dor lombar em Porto Alegre com a Dra. Francine Berlesi, médica que atua em Medicina da Dor.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Ter hérnia de disco significa precisar de bloqueio?

Não. O achado no exame precisa ser relacionado aos sintomas e ao exame físico. A imagem isolada não define a indicação.

Se o efeito durar pouco, significa que o bloqueio falhou?

Não necessariamente. Em um teste diagnóstico, um efeito breve pode ser esperado. A interpretação depende da finalidade e da resposta registrada.

O bloqueio elimina a necessidade de cirurgia?

Não há essa garantia. A avaliação cirúrgica tem critérios próprios e pode continuar necessária em determinados quadros.

Posso repetir sempre que a dor voltar?

Não automaticamente. É necessário rever o benefício anterior, os riscos e as alternativas antes de uma nova aplicação.

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sobre o autor

Drª. Francine Berlesi

Pós-graduada em Medicina da Dor pelo Hospital Albert Einstein

Formação em Medicina Interna pelo Hospital Moinho de Vento em Porto Alegre - RS

Médica pela PUC-RS

Curso de Infiltração guiada por ultrassom - Caio Rondon

Especialização em Atenção Básica pela UFSC

CRM/RS: 44211 - RQE: 39953

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